quarta-feira, 27 de julho de 2016

Se esforce um pouquinho mais


Estava conversando um dia desses com uma pessoa e ela me perguntou o que eu achava que era o problema dos relacionamentos hoje em dia. Eu respondi que achava que os homens estavam inseguros demais e que as mulheres estavam afoitas demais, as duas coisas não se encaixam, não combinam, não se acertam.

É preciso calma para se conhecer uma pessoa, para saber se é ela com quem você quer passar suas noites de sábado e suas tardes de domingo, eu entendo isso, todos nós entendemos. Não se decide isso num jantar, numa balada pop rock, no escurinho do cinema, no piquenique no Parque. É preciso mais alguns encontros, mais risadas, saber mais daquela pessoa que se vira em duas para estar ali com você, que não se importa de segurar a pizza num pedaço de guardanapo.

O que não se pode é levar um ano inteiro tentando descobrir se é a pessoa certa para você. E quando chega a pergunta que não aguenta mais a espera, se você quer um relacionamento ou não, vir uma resposta ainda cheia de dúvidas. Há uma pessoa ali, que entregou seu tempo de bandeja, que fez de tudo para que as coisas se encaixassem, dessem certo e merece respeito, no mínimo uma resposta decente da outra parte.

Sinto saudade da época em que as pessoas tentavam se conhecer de verdade, dar risadas juntas, passar pela tensão de ter que conhecer a família do outro, os pais do outro, dos convites para ver um filme ou para sair para dançar, da conversa olho no olho dentro de uma lanchonete, da coragem do carinha de em uma ou duas semanas saber o que queria, que queria você e já tava lá com uma caixinha com duas alianças prateadas dizendo "namora comigo?" e do sorriso sem graça e feliz estampado no rosto dela.

Parece que o simples ficou complicado, que o gostar de alguém leva com ele mil questionamentos, um manual de cem páginas a se seguir e uma lista de exigências a se cumprir. Que mesmo que aquela pessoa pareça incrível, com certeza vai ter algo de errado, é bom demais para ser verdade, vamos esperar mais um pouco até que essa máscara caia.

E nada, nada é mais importante que saber no que que ela trabalha e aonde ele mora. Olha você é uma pessoa incrível, mas mora muito longe de mim, vamos parar por aqui. Não há uma espontaneidade no assunto, você não quer saber qual a cor preferida dele, se ela prefere rock ou samba, qual o livro mais bacana ele leu, se os signos de vocês batem, se ela é aventureira ou mais caseira, se ele sabe dançar ou é daqueles que pisam no pé, se ela acorda de bom humor ou mau humor, qual o esporte favorito dele, qual a viagem mais fantástica que ela fez. Não, o mais importante é se eu vou levar dez minutos ou trinta minutos da sua casa até a minha.

Que bom seria se o único interesse existente ali, dentro de um possível relacionamento fosse a preocupação se o beijo vai bater, se ele vai querer ir assistir filmes de drama com você, se ela não vai se importar de você estar usando uma camisa meio amarrotada no primeiro encontro, se ela tem alergia a camarão, qual a série que ele mais curte.

Dê uma chance, sem pré julgamentos, tente conhecer realmente aquela pessoa, se disponha a isso, se esforce um pouquinho mais em dar Bom dia, em saber como o outro está, em convidá-la para jantar, em abrir a porta do carro, em agradecê-lo pela ótima companhia e conversa, abra o coração para aceitar alguém sem medo, sem receio de que tudo desmorone. E surpresas muito boas podem atravessar o seu caminho, pessoas incríveis podem passar e querer ficar.