quinta-feira, 28 de maio de 2015

Eu Sinto Falta...


... de quando "acabava a luz" e nos reuníamos na sala para conversar a luz de velas, fazer bichinhos nas paredes, de iniciar as contagens malucas que o meu pai gostava de fazer dizendo que estava sentindo a energia chegar, "eu to sentindo, é agora, vamos contar 10, 9, 8 ... 0", e não é que algumas vezes a danada voltava, mas algumas outras vezes também não e depois de algum tempo a contagem retornava.

... de melar as mãos na massa de pão de queijo que minha mãe deixava amassar para "ajudá-la" no preparo, o melhor pão de queijo do mundo diga-se de passagem. Ou de raspar a vasilha aonde eram preparados bolos deliciosos, nada fáceis, nada de caixinhas prontas, tínhamos que seguir receitas e sempre dava certo, claro, quando não esquecia de colocar o fermento.

... de tomar banho de "Tcheco", éééé banho de Tcheco sim senhor, era acabar a luz ou ficar naquelas meia fases malucas de energia que a Mamita colocava a água para esquentar no fogão, depois jogava numa bacia em cima de um banquinho e corríamos para o banheiro, não podia deixar a água esfriar, banho rápido e gostoso, gostoso provavelmente por ser rápido e era divertidíssimo, parecia ser uma grande aventura sempre.

... das noites frias, mas bem frias mesmo que meus pais faziam a gente pegar os colchões e levar para dentro do quarto deles para dormirmos todos juntinhos com a desculpa de que não era para congelarmos, mas o que era realmente aquecido não eram nossos corpos mas sim nossos corações.

... das viagens que fazíamos em carreatas com toda a família, carreata mesmo, três, quatro, cinco carros seguindo juntos na estrada com todos os primos e todos os tios, nos comunicando por Walkie talkie ou apenas falando gracinhas ou apenas cantando, mas o momento de falar "câmbio desligo" era a parte mais legal, a gente se sentia adulto.

... de na época das festas juninas, reunir toda a família e montarmos a nossa própria festa junina, eram barracas de verdade, uma fogueira enorme, comidas deliciosas e pessoas todas a caráter. Era uma trabalheira só, fazer todas aquelas bandeirinhas, meus tios passando com madeiras para lá e para cá para montar as barraquinhas, tinha até a de pescaria e a gente arriscava até nas dancinhas, era uma diversão só.

... de ir para o Parque da Cidade brincar no foguete, andar descalço, correr para lá e para cá, andar de bicicleta, ter que andar um bocado para encher garrafinhas com água para jogar na terra e fazer bolinhos de lama. De todos os churrascos, de ficar todo mundo juntinho no mesmo lugar para cantar as modas de viola e ouvir o Tio Neri gritar "É isso aí amigos, porque o Amor da Marcinha amada nunca nunca nunca... consentirei".  

... dos almoços no apartamento da minha Vó Olímpia no Cruzeiro, que era pequenininho mas cabia todo mundo ou pelo menos um revezamento de todos, os adultos ficavam no apartamento e a gente ficava lá embaixo, subindo numa árvore que tinha de frente com a janela dela ou brincando com o "xixi de macaco", uma plantinha que tem água dentro e espirrávamos ou a esmagávamos para tirar a água, pular corda ou elástico e brincar de pique-pega. E da minha Vó Maria que fazia sempre um café quentinho e trazia numas mini xícaras que a gente se amarrava ou de chupar as laranjas super azedas da árvore que tinha no seu quintal que a gente enchia de açúcar, e se bem me lembro brincar de pique-esconde com os primos num parquinho que tinha de frente com a casa dela. 

Eu sinto falta de tanta coisa porque provavelmente eu tive uma das melhores infâncias com as melhores pessoas do mundo. E eu agradeço todo santo dia pela vida de cada uma dessas pessoinhas especiais que continuam fazendo parte da minha rotina. Ahhhh essa família linda. E quem sabe, agora que ta chegando uma nova geração de pimpolhos na nossa família possamos reviver tudo de novo.

Nada melhor do que ter boas lembranças para recordar, não é mesmo???!! Esse Gostinho de Infância é mágico.