sexta-feira, 26 de junho de 2015

1968 0 ano que não terminou

Hoje não irei fazer um resumo do livro que li, mas trazer para vocês uma passagem que me fez ficar ainda mais interessada em sua leitura, que o próprio livro trás. Além é claro do comentário feito pelo meu Pai antes de me entregar o livro: "o livro é interessante não só pela história, mas porque a vivemos e as pessoas do livro existem, viveram tudo aquilo e será um conhecimento para você do que aconteceu na época".

"Com persistência rara, para o Brasil, 68 ainda povoa o nosso imaginário coletivo, mas não como objeto de reflexão. É uma vaga lembrança que se apresenta, ora como totem, ora como tabu: ou é a mitológica viagem de uma geração de heróis, ou a proeza irresponsável de um "bando de porralocas", como se dizia então.

Na verdade, a aventura dessa geração não é um folhetim de capa e espada, mas um romance sem ficção. O melhor do seu legado não está no gesto - muitas vezes desesperado; outras, autoritário -, mas na paixão com que foi à luta, dando a impressão de que estava disposta a entregar a vida para não morrer de tédio. Poucas - nem a efêmera geração dos caras-pintadas - lutaram tão radicalmente por seu projeto, ou por sua utopia. Ela experimentou os limites de todos os horizontes: políticos, sexuais, comportamentais, existenciais, sonhando em aproximá-los todos.

Sem dúvida, há muito o que rejeitar dessa romântica geração de Aquário - o messianismo revolucionário, a onipotência, o maniqueísmo -, mas há também muito o que recuperar de sua experiência.

Os nossos "heróis" são os jovens que cresceram deixando o cabelo e a imaginação crescerem. Eles amavam os Beatles e os Rolling Stones, protestavam ao som de Caetano, Chico ou Vandré, viam Glauber e Godard, andavam com a alma incendiada de paixão revolucionária e não perdoavam os pais reais e ideológicos - por não terem evitado o golpe militar de 64. Era uma juventude que se acreditava política e achava que tudo devia se submeter ao político: o amor, o sexo, a cultura, o comportamento.

Uma simples arqueologia dos fatos pode dar a impressão de que está é uma geração falida, pois ambicionou uma revolução total e não conseguiu mais do que uma revolução cultural. Arriscando a vida pela política, ela não sabia, porém, que estava sendo salva historicamente pela ética.

O conteúdo moral é a melhor herança que a geração de 68 poderia deixar para um país cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de ética."

Tem como deixar de ler??.