quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Edredom tá ganhando...


E eu me joguei na cama, cansada, com toda uma preguiça me envolvendo, uma preguiça enorme de responder um cara que depois de tentar me convencer por duas semanas a sair com ele, achou muito criativo e impressionante me chamar para ir assistir um filme na casa dele. Duas semanas, que com uma frase "Vem ver um filminho aqui em casa", me fez me arrepender de ter deixado de dar atenção até para a propaganda de margarina na Tv, ao desviar o olhar para pegar o celular e respondê-lo. E o pior mesmo foi constatar que nesses dois anos de solteira a criatividade masculina não foi muito além disso.

Eu gosto de contar um episódio trágico e cômico ao mesmo tempo que aconteceu comigo, mas que hoje me faz pelo menos pensar três vezes se vale a pena sair debaixo do meu edredom e deixar minha série favorita para me encontrar com alguém. Um rapaz me convidou para sair e sugeriu uma creperia aconchegante aonde conversamos por umas 2 horas, uma conversa bem agradável por sinal, e nos deliciamos com os crepes. Ele pediu a conta e assim que o garçom a trouxe, para a minha surpresa, ele arrancou o celular do bolso e começou a fazer alguns cálculos.

_ O que você está fazendo?

_ Estou calculando quanto eu tenho que pagar!

_ Como assim?

_Eu pedi dois sucos e dois crepes, estou calculando.

O garçom que veio nos trazer a conta arregalou os olhos e depois que se cansou de olhar para mim e para ele repetidas vezes, começou a balançar a cabeça em negação, creio eu que nem ele estava acreditando no que estava vendo.

_ Divide por dois.

_ Não é justo, você só comeu um crepe e tomou um suco.

_ Não me importo, divide por dois.

_ Mas...

_ Moço, por favor, passa a metade aqui. 

Só para esclarecer, a maioria das mulheres não se importam em dividir a conta, eu pelo menos não me importo. Mas se você a convida para jantar, para comer um crepe, para ir ao cinema e é a primeira vez que estão saindo juntos, pague a conta e se não for pagar, por favor, não tire uma calculadora do bolso porque é meio constrangedor até para o garçom. E eu poderia contar mais alguns muitos encontros furados e malucos que atravessaram, aliás, capotaram no meu caminho.

Então eu comecei a entender porque está tão difícil conhecer pessoas, porque eu vejo tantas amigas e amigos dizendo que estão com preguiça de sair e conhecer as pessoas, porque se você pensar bem, não há nada novo. São repetidos e repetidos encontros furados aonde uma pessoa está disposta e a outra nem tanto, sua única disposição parece ser a de te chamar para o "apê" dele. As pessoas não querem mais impressionar, fazer de um encontro uma noite agradável em que se pode realmente conhecer o outro, desfrutar da companhia do outro. 

E se até uma pessoa otimista como eu,  que prega que todo mundo deve sempre dar uma, duas, três chances ao Amor está se cansado, como evitar que todos os outros prefiram seus edredons a expectativas frustradas, pessoas vazias, conversas sem conteúdos, mas "apês" a disposição num dia e sumiços no whatsapp no outro?!.

Tem um trecho de um texto da Tati Bernardi que eu gosto bastante e parece ler meus pensamentos sempre que volto de um encontro, vamos dizer, ruim "Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar para casa vazio ou continuar embaixo do edredom lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito. A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você poder vê-la por aí?". Não é triste?.

_ Júlia e o que a gente faz então?.

_ Reza para que num desses encontros você esbarre numa pessoa tão disposta quanto você e que a noite seja fantástica ou escolha muito bem o livro ou o filminho que vai te acompanhar além do edredom. 

Eu e esse meu otimismo meio careta gostamos de pensar que deve-se dar sempre uma chance para as pessoas, quem sabe uma te surpreenda de uma maneira boa, se você for uma dessas pessoas acima, não desista de me encontrar, porque por enquanto eu ainda não desisti, de vez em quando esquece a preguiça e tenta esbarrar em mim. Mas eu sei, que de vez em quando, a melhor opção é um chocolate quente e um romance na Tv. 

P.S - Para as pessoas que devem estar achando que o carinha lá de cima deve ter feito aquilo porque achou o encontro horrível, eu também cheguei a pensar a mesma coisa ao levantar da mesa do restaurante até abrir a porta do meu carro e ouvir "eu adorei o encontro, vamos marcar outro" seguido da tentativa de um beijo. É claro que eu desviei do beijo e é claro que não teve outro encontro mesmo com a insistência no whatsapp. E se por um acaso o homem de 34 anos (pois é era um "homem") do encontro estiver lendo esse texto, saiba que o edredom ganhou de você de dez a zero.


Obs: Música by Eudinha (minha Personal SoundTrack)