segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Uma Infância Mágica e Estabanada

Eu não sei como foi a sua infância mas crescer numa família enorme como a minha foi uma das coisas mais maravilhosas que podem acontecer para uma criança, muitos primos para brincar, muitos tios para paparicar, muitas aventuras e viagens, muitas reuniões de família e aniversários. Eu tive uma infância abençoada e feliz o que não quer dizer que já não era estabanada e se tinha que dar errado vocês já sabem, eu ia estar com certeza no meio.




Nossas viagens eram incríveis, sempre saíamos em comboio, vários carros. Mas o carro que as crianças gostavam mais era o carro do Tio João Carlos, uma Caravan. Eu nem sei se ainda existe esse carro, mas era perfeito para nós por causa daquele espaço todo atrás. Então todos os primos queriam ir ali porque podiamos ir brincando. Nós usávamos Walk Talk para falar entre os carros o que era bem legal também porque ficávamos sempre em contato e achávamos o máximo com aquele aparelhinho poder falar à distância com os outros Tios ou nossos pais. Numa ida a Bahia com o nosso comboio eu lembro que estava no carro do Tio João Carlos, com a Tia Vânia esposa dele, Tia Tânia e minha irmã Tati e de repente nós escutamos um barulho bem alto de vidro quebrando. Minha mãe no outro carro foi ultrapassar o meu tio e nessa ultrapassagem voou uma pedra direto no vidro da frente do carro que acabou quebrando. Eu lembro que a minha Tia que tava atrás com a gente gritava "não se mexam, estátua ta bom? Vocês duas não se mexam". E eu pelo menos era bem pequena, não tava entendendo nada e achei que a gente tava brincando de estátua, meio estranha, porque meu Tio parou o carro e saiu todo mundo para ver a gente e eu na minha pose de estátua, porque eu fiz até uma pose quando ela gritou "não se mexe, todo mundo estátua". E hoje eu sei que era por causa dos vidros e aí tiraram a gente com todo cuidado e bem devagar do carro e passavam a mão em todos os lugares possível tirando e verificando se não havia mais cacos de vidro. Como eu disse, muitas aventuras.




Família reunida na casa do Tio João Carlos, to começando a achar que o Tio João Carlos que não me dava muita sorte, para assistir á Fórmula 1, que por sinal foi uma das melhores épocas e que de fato assistíamos por causa do Airton Senna, era diversão na certa. Minha família sempre se reunia na casa de algum Tio para um churrasquinho. A casa do meu tio era bem grande e tinha uma área bem ampla aonde adorávamos brincar. Eu e meus primos resolvemos brincar de pique alta, quem era da minha época vai saber o que é, a gente tinha que subir em algo acima do chão para não ser pego. Foi aí que vários primos naquele desespero de não ser pego, inclusive eu, resolvemos subir no portão da casa. Num certo momento eu só lembro de alguém gritando "vai cair". E eu pensando comigo "o que que vai cair?", até que eu senti que o Portão estava caindo, todo mundo desceu e saiu correndo e quem ficou para trás? Eu é claro, como eu era muito pequena ou de repente por ser eu mesmo não é?!, minha reação de sair correndo foi atrasada e o portão me pegou no meio do caminho, me esmagando. Pois é, o portão caiu em cima de mim, minha prima Dani com o intuito de me ajudar a sair foi tentar levantar o portão, mas ela estava com o braço engessado e só era um ano mais velha do que eu. Então vocês já podem imaginar o que aconteceu? Isso mesmo, ela conseguiu levantar até uma certa altura mas teve que soltar porque era muito pesado e soltou na cabeça de quem? Juliana estava desmaiada, brincadeira, mas o portão caiu em cima de mim de novo e parece que durou uma eternidade para todos os meus tios chegarem correndo e me salvarem. Eu não me machuquei muito, só um corte no lábio e provavelmente dores no corpo, mas eu lembro que foi o fim de semana mais legal da minha vida porque todo mundo ficou me paparicando e cuidando de mim. Ser estabanada às vezes pode ser legal.





Eu já fui costurada duas vezes, no joelho e no braço. Eu tenho tanta sorte que uma vez correndo na rua com uma amiga, ás crianças naquela época saíam na rua para brincar, jogar vôlei, queimada, futebol, esconde-esconde, mas não lembro o motivo de nós estarmos correndo eu só lembro que havia uma pedra no caminho, sabe aquela história?. E eu caí com o joelho bem em cima da pedra, gente tinha uma pista inteira para a Juliana cair, mas eu tinha que cair em cima da única pedra existente no caminho e lá foi a Juliana para o hospital levar pontos. O do braço, estava eu e minha irmã brincando em casa de chutes a gol. Eu e ela revezando quem chutava e quem ficava no gol. Quando chegou a minha vez de ser a goleira, consegui agarrar um chute da minha irmã mas a bola escapou, saí correndo atrás da bola e me desequilibrei e tentei apoiar numa das janelas que tinham na área da minha casa, mas acho que coloquei força demais porque o vidro espatifou e meu braço atravessou o mesmo e lá vai a Juliana ser levada novamente para o hospital e levar mais pontos.




Tirando esses imprevisto que eu tenho certeza que acontece o tempo todo com outras pessoas, minha infância foi Mágica. Eu só tenho boas e lindas lembranças. A expectativa de esperar o outro dia para poder viajar com toda a família, dormir na casa dos meus tios nas férias e aprontar todas com meus primos, rezar para nossos pais falarem sim quando pedíamos para um primo nosso pedir para dormirmos na casa dele, o natal que era uma época realmente especial com a chegada do Papai Noel que já apareceu dentro de um carrinho de supermercado, já veio de carroça, desceu de telhado, chegou caminhando na rua, apareceu magicamente dentro de casa, os churrascos no Parque da Cidade com direito a subir naquele castelo, andar de pedalinho, de bicicleta, fazer tortas e castelos de areia. São lembranças e experiência que todas as crianças deveriam ter. Eu posso dizer que hoje eu sou uma pessoa feliz graças á essa família linda e enorme que possuo e ás aventuras com meus primos que estão comigo até hoje. Espero que você tenha tido tanta sorte quanto eu tive e tenho.